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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E o Vento Levou...

E o Vento Levou... (1939)


Em uma pomposa reunião íntima na propriedade sulista e  abastada dos O'Hara, conhecida como Tara, somos aprentados à  figura impetuosa de Scarlett O'Hara (Vivien Leigh). Bonita e ousada, a jovem tem praticamente todos os rapazes da redondeza afeiçoados por sua pessoa. Mas, em meio a tantos pretendentes, somente um desperta inteiramente seu interesse. E esse alguém é Ashley Wilkes (Leslie Howard).
Quando descobre que sua paixão de juventude está de casamento marcado com Melanie Hamilton (Olivia de Havilland), - uma mulher que odeia - ela planeja evitar esse casamento confessando seu amor e esperando obter, em troca, uma confissão de Ashley.
Percebendo as intenções impulsivas de sua filha, Gerald O'Hara a adverte, enfatizando que Scarlett poderia ter o homem que quisesse e que a terra era o único bem que realmente importava.
"(...) A terra é a única coisa no mundo, pela qual vale a pena trabalhar, lutar, morrer, pois é a única coisa que dura. (...)"
Só que Scarlett  é uma mulher arrogante, que não se intimida em ser persistente, em causar burburinhos, e, sobretudo, em evidenciar que age apenas por interesse próprio. Quando Ashley lhe joga na cara que não se casaria com ela, apesar de toda a admiração que lhe desperta, ela toma a atitude mais precipitada que poderia existir no momento: aceitar o pedido de casamento de um garoto (Rand Brooks), apenas para causar ciúmes em Ashley.
Porém, em tão pouco tempo de casamento,  seu marido Charles Hamilton é morto no confronto militar contra os nortistas (yankees),  durante a temida e sangrenta Guerra Civil Americana (1861-1865).
Sem sentir pelo ocorrido, Scarlett tenta retomar a vida como uma moça solteira e descompromissada, ponderando a possibilidade de não usar o habitual luto da época; mas acaba sendo repreendida por tal atitude. Assim, ela cede a sugestão de sua mãe de passar uma temporada na casa de sua cunhada, em Atlanta, objetivando apenas se aproximar de Ashley.


O que ela não imaginava era que toda sua vida passaria por uma reviravolta depois desse dia. Em uma festa beneficente na casa da cunhada, ela é surpreendida, mais uma vez,  pela presença de Rhett Buttler (Clark Gable), um homem astuto, que insinua conhecer seu segredo comprometor de amor, apenas para ganhar sua atenção. A partir desse momento, surge uma amizade peculiar entre ambos, ainda que firmada na extorsão.
Quando a guerra ainda é uma ameaça e Ashley se prepara para voltar a lutar contra os yankees, ele faz Scarlett prometer que cuidará de sua esposa até sua volta. Sem ter como recusar esse pedido formal, ela se submete a tal "sacrifício" afirmando que o fará por amor; mas tudo começa a fugir de controle, quando os invasores estão prestes a ocupar a cidade em estão. Desesperada, ela tenta fugir para Tara e rever a mãe, pensando mais na própria segurança que na gravidade da situação. Afinal, Melanie está prestes a ter um bebê e sem a menor condição de enfrentar uma viagem exaustiva. Mas será que ela é capaz de quebrar a promessa que fez a sua grande paixão?


Scarlett é uma personagem complexa e cheia de facetas. Ela age dissimuladamente para com todos e nem ao menos se envergonha dos erros que comete, exceto quando chega ao extremo. Ela tem a habilidade de provocar um turbilhão de emoções contraditórias: um misto de raiva, aflição e fascínio. 
É de irritar seu temperamento teimoso, egoísta e sem limites, pois Scarlett O'Hara passa por cima de qualquer valor moral e ético para conseguir o que quer. 
Mas, ao mesmo tempo, é de admirar seu empenho nos negócios da família,  sua coragem e determinação na disputa por suas terras. Sua luta,  com unhas e dentes, pela posse de sua propriedade, fazendo o que está ao seu alcance para não perder Tara para os yankees, ainda que sua própria vida esteja em risco.

Isso comprova, no decorrer do filme, a previsão de seu pai:
"(...) Virá até você esse amor pela terra. Não há como ficar longe, se você tem sangue irlandês. (...)"
E a pressuposição de Ashley:
"(...) Existe algo que você ama mais que tudo na vida, Scarlett: Tara. Você nunca a deixaria para trás. (...)"

Citação famosa:

"As God is my witness, I'll never be hungry again!"
"Com Deus por testemunha, eu nunca mais passarei fome!"

Melanie é a personagem mais sensata e complacente diante de todas as atribulações. Percebemos que ela sempre teve consciência que sua cunhada  era obcecada por seu marido, mas demonstrava maturidade suficiente para não dar ouvidos a boatos. Até porque, no fundo, ela também sabia que Scarlett - que sempre teve tudo o que quis - apenas desejava seu marido, pelo simples fato de ele não a ter querido. E o mais impressionante em seu caráter: Melanie nutria por Scarlett uma afeição verdadeira e leal, apesar de tudo.
Dentre todos os personagens, temos um que se destaca tanto quanto a protagonista:  Rhett Buttler.
Rhett é incrivelmente sedutor, dono de um humor sarcástico e uma má reputação. Ele entra na vida de Sacarlett, fazendo uso do seu charme e malícia, tratando-a tal de igual para igual, sem hipocrisia e cerimônias.



Embora seja apaixonado por ela, ele não faz disso um romantismo exarcebado. Pelo contrário, ele até debocha da situação e provoca dúvidas quanto a veracidade desse sentimento até mesmo na própria Escarlett.
Vivien Leigh atuou de maneira espetacular. Ela soube interpretar, nas devidas proporções, todas mudanças de estado de espírito de sua personagem. Se antes Scarlett já era atrevida e à frente de seu tempo; após a devastação causada pela guerra, seu temperamento ficoumais firme e frio. Sua atuação foi admirável.


E o que dizer de Clark Gable? Ele esbanjou charme desde o início e soube perfeitamente dar ao seu personagem aquele ar de cinismo e presunção, que em muitos momentos rendeu frases marcantes e gerou confrontos com O'Hara.
Os personagens secundários também fizeram uma excelante atuação, em especial Hattie McDowell, que interpretou brilhantemente a  inesquecível Mammy.
"E o Vento Levou..." é um filme que mistura todos os ingredientes necessários para um grande clássico: têm atuações maravilhosas, fotografia de encher os olhos, trilha sonora memorável, figurino perfeito e, claro, roteiro magnífico. Não li o livro em nenhum momento, de modo que não posso comparar; mas acredito que nada faltou na adaptação. Tudo foi cuidadosamente explorado para o entendimento do espectador e nada ficou a desejar.  Eu fiquei maravilhada com a estrutura da Sacarlett em dar a volta por cima em diversos momentos; comovida pela opressão e devastação causadas pela guerra (onde, aproximadamente, 970 mil pessoas morreram); pela miséria que atingiu a cidade;  pela dor de Rhett, que amava sua filha desesperadamente...
Enfim, se você não assistou "E o Vento Levou..." ainda, reserve uma caixa de lenços e tire um dia da semana só para isso, pois o longa tem quatro horas de duração. 
Sem dúvidas, esse filme já ocupa o topo dos meus favoritos, superando até mesmo "Casablanca (1942)", que algum tempo atrás eu julgava ser melhor.

Abaixo, a quote (citação) mais memorável de todos os tempos:


"Frankly, my dear, I don't give a damn."
"Francamente, querida, eu não ligo a mínima."


Fonte: Cinema e Literatura (Ana Leonilia) - Gostei muito do comentário - Este é com certeza MEU FILME PREFERIDO)

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